Quanto custa registrar um funcionário? O custo real acima do salário

Registrar um funcionário custa entre 1,4 e 1,8 vez o salário dele, dependendo do regime tributário da empresa. Um empregado com salário de R$ 2.000 custa de R$ 2.800 a R$ 3.600 por mês quando se somam FGTS, encargos, provisões de férias e de décimo terceiro.
Esse multiplicador é a informação que falta na maioria das decisões de contratação de empresa pequena. Quem calcula só o salário descobre o resto no primeiro décimo terceiro, e é aí que o caixa aperta.
Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica. Valores, prazos e pisos mudam por estado, por convenção coletiva e por ano: confirme com um profissional antes de decidir.
Quanto custa registrar um funcionário: a composição
| Parcela | Percentual sobre o salário | Quando é paga |
|---|---|---|
| Salário | 100% | Mensal |
| FGTS | 8% | Mensal, até o dia 7 |
| Provisão de férias com um terço | cerca de 11,1% | Provisionado, pago no gozo |
| Provisão de décimo terceiro | cerca de 8,3% | Provisionado, pago em duas parcelas |
| FGTS sobre férias e 13º | cerca de 1,6% | Junto das provisões |
| Contribuição previdenciária patronal | varia pelo regime | Mensal |
| Provisão de multa rescisória | cerca de 3,2% | Só na demissão sem justa causa |
A diferença entre os regimes
| Regime | Multiplicador aproximado | Observação |
|---|---|---|
| Simples Nacional | 1,4 a 1,5 | Contribuição patronal já dentro da guia única, na maioria dos anexos |
| Lucro Presumido | 1,6 a 1,8 | Contribuição patronal e terceiros por fora |
| Lucro Real | 1,6 a 1,8 | Semelhante ao presumido no custo de folha |
Empresas de alguns setores podem estar sujeitas a regras específicas de contribuição, o que altera a conta. Confirme com a contabilidade qual enquadramento se aplica antes de fechar orçamento de contratação.
Os custos que não entram no multiplicador
- Vale-transporte: a empresa custeia o que passar de 6% do salário do empregado.
- Vale-alimentação ou refeição: quando previsto em convenção coletiva, vira obrigatório.
- Exames ocupacionais: admissional, periódico e demissional, por conta da empresa.
- Uniforme e equipamento de proteção: obrigatórios quando a atividade exigir.
- Adicionais de ambiente ou de turno: mudam a base de tudo o que vem depois.
- Contabilidade da folha: custo por empregado cobrado pelo escritório contábil.
Simulação de um posto de trabalho
Para um salário de R$ 2.000 em empresa do Simples, com vale-transporte e vale-refeição de convenção, o custo mensal total costuma ficar entre R$ 3.100 e R$ 3.400. No lucro presumido, entre R$ 3.500 e R$ 3.900. Sobre doze meses, a diferença entre calcular pelo salário e calcular pelo custo real passa de R$ 15 mil por empregado.
Onde cada parcela é regulada
O FGTS tem prazo próprio de recolhimento e prazo específico na rescisão, e o descumprimento gera multa ao trabalhador: os prazos estão em prazo para a empresa pagar o FGTS.
Se a atividade envolver agentes nocivos, entra o adicional de ambiente, cuja base de cálculo é discutida: veja a base de cálculo da insalubridade.
O salário de partida não é livre: a categoria costuma ter piso em convenção coletiva, como mostra piso salarial do comércio.
Nas férias, o empregado pode pedir a conversão de um terço em dinheiro, o que antecipa desembolso: a regra está em a empresa é obrigada a comprar 10 dias de férias.
E quem tem empresa deve lembrar que o negócio também entra na sucessão, com custo próprio, tema de valor de um inventário, que fica bem menor quando o caso permite o inventário feito em cartório.
Como reduzir o custo sem irregularidade
- Revise o enquadramento tributário com a contabilidade: em vários casos o regime define mais o custo de folha que o próprio salário.
- Use contratos previstos em lei quando cabem, como o de tempo parcial, o intermitente e o de experiência, cada um com regra própria.
- Considere o aprendiz e o estagiário, que têm regime específico e finalidade formativa, com regras que precisam ser cumpridas.
- Negocie benefícios na convenção em vez de conceder por liberalidade, porque o que vira habitual se incorpora.
- Provisione mensalmente férias, décimo terceiro e multa, para não sentir o desembolso concentrado.
O que não é redução, é risco
Registrar com salário abaixo do real e complementar por fora, contratar como pessoa jurídica quem trabalha como empregado, ou marcar ponto que não corresponde à jornada são práticas que reduzem o custo aparente e criam passivo. Reconhecido o vínculo ou a diferença, tudo é cobrado retroativamente, com correção e multa, e o valor final supera em muito o que se economizou.
O custo do desligamento
Na demissão sem justa causa entram aviso prévio, férias proporcionais com um terço, décimo terceiro proporcional e a multa sobre o saldo do FGTS. Somados, costumam representar de um a dois salários adicionais, e é a parcela que mais surpreende quem não provisionou.
Perguntas frequentes sobre o custo de registrar um funcionário
Quanto custa registrar um funcionário com salário mínimo?
Entre 1,4 e 1,8 vez o valor do salário, conforme o regime tributário, somando FGTS, encargos e provisões de férias e décimo terceiro. Benefícios de convenção coletiva entram por cima disso.
Qual o custo de um funcionário no Simples Nacional?
Em torno de 1,4 a 1,5 vez o salário, porque na maioria dos anexos a contribuição patronal já está embutida na guia única do regime, o que reduz o encargo da folha.
O vale-transporte é obrigatório?
É obrigatório quando o empregado solicita. A empresa desconta até 6% do salário e custeia a diferença, sem limite fixo por lei para essa parte complementar.
Vale a pena contratar como pessoa jurídica?
Depende, e o risco é real: quando há subordinação, pessoalidade, habitualidade e salário, a relação pode ser reconhecida como emprego, gerando cobrança retroativa de tudo o que não foi pago, com multa.
Quanto provisionar por mês para não ser surpreendido?
Cerca de 25% do salário só para férias, décimo terceiro e FGTS sobre eles, mais a multa rescisória se houver risco de desligamento. Provisionar mensalmente evita o aperto de caixa em dezembro e nas férias.


