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Bocalom defende gestão pública e rejeita privatizar saneamento

Candidato ao Governo do Acre diz que manteve o Saerb sob controle municipal e promete levar modelo a outros municípios
Bocalom defende gestão pública e rejeita privatizar saneamento

O candidato ao Governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) afirmou, em sabatina realizada nesta quinta-feira (27) em Rio Branco, que pretende manter o modelo de gestão pública no saneamento básico caso seja eleito. Segundo ele, houve articulação para transferir o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) à iniciativa privada durante sua gestão como prefeito, decisão que afirma ter barrado.

Bocalom participou de sabatinas promovidas pelos veículos ac24horas e O Alto Acre, nas quais tratou da administração do sistema de água e esgoto do município e da possibilidade de expandir o modelo para o restante do estado.

Bocalom nega erro na municipalização do Saerb

De acordo com o candidato, o serviço estava sob responsabilidade do Governo do Estado antes de ser repassado à Prefeitura de Rio Branco. Ele afirmou que, à época, existia negociação para entregar a operação a empresas privadas.

"Eles queriam entregar a água e o esgoto para a iniciativa privada ganhar muito dinheiro. Estava tudo negociado. Eu já disse: não deixei privatizar", declarou Bocalom, segundo reportagem do ac24horas.

Ao jornal O Alto Acre, o candidato foi além e afirmou que o sistema teria sido levado deliberadamente ao colapso como estratégia para viabilizar a privatização, embora não tenha apresentado documentos ou provas que sustentem essa alegação.

Candidato cita Amapá e Amazonas como contraponto

Para justificar sua posição contrária à transferência do serviço à iniciativa privada, Bocalom citou os sistemas de abastecimento do Amapá e do Amazonas, estados onde, segundo ele, a privatização não teria resolvido os problemas de fornecimento de água à população.

"Não é a privatização que resolve. O que resolve é o que nós estamos fazendo", afirmou o candidato, em declaração reproduzida pelos dois veículos.

O candidato reconheceu que Rio Branco ainda enfrenta falhas no abastecimento, mas defendeu que houve progresso ao longo de sua gestão à frente da Prefeitura. Ao O Alto Acre, citou o bairro Calafate como exemplo de área que passou de fornecimento intermitente, a cada três ou quatro dias, para abastecimento contínuo.

Mudança na cobrança de tarifas e resultado do Saerb

Bocalom afirmou que sua gestão revisou critérios de cobrança para corrigir distorções identificadas entre grandes consumidores. Segundo ele, estabelecimentos com alto consumo pagavam valores abaixo do esperado, enquanto famílias arcavam com tarifas desproporcionais.

Há divergência de detalhes entre os dois relatos: ao ac24horas, o candidato mencionou hotéis que não pagavam pela água consumida; ao O Alto Acre, citou motéis na mesma situação. Em ambas as entrevistas, ele afirmou que condomínios com piscina pagavam apenas R$ 17 antes do ajuste.

Sobre a situação financeira do Saerb, Bocalom declarou ao O Alto Acre que o serviço deve fechar o ano com recursos entre R$ 11 milhões e R$ 15 milhões disponíveis para investimento, além de já cobrir integralmente suas despesas. ao ac24horas, limitou-se a dizer que o órgão está superavitário e paga todos os fornecedores, sem citar valores.

Tratamento de esgoto e planos para o interior

Segundo o candidato, o índice de tratamento de esgoto em Rio Branco era de 2,2% no início de sua gestão na Prefeitura e atualmente está em cerca de 17,5%. Ele projetou que o percentual deve chegar a quase 50% até o fim de 2026, o que classificou como o maior avanço do país nessa área, sem citar a fonte do comparativo nacional.

Questionado sobre os planos para o saneamento em todo o Acre caso seja eleito governador, Bocalom disse pretender replicar a experiência de Rio Branco nos demais municípios, respeitando particularidades locais. Ele citou a região do Juruá, no interior do estado, como exemplo de localidade em que o abastecimento por poço artesiano tem custo mais baixo do que a rede tratada.

O candidato voltou a afirmar que a privatização teria elevado os valores cobrados da população. Há divergência no número citado por ele nas duas entrevistas: ao ac24horas, disse que a tarifa de água poderia ter aumentado "seis, sete vezes"; ao O Alto Acre, afirmou que o aumento seria de "67 vezes". As reportagens não trazem esclarecimento sobre a discrepância.

O que observar daqui para frente

As declarações de Bocalom foram dadas em contexto de campanha eleitoral e não foram verificadas de forma independente pelos veículos que o entrevistaram. Os números sobre tratamento de esgoto, resultado financeiro do Saerb e eventual impacto de uma privatização foram apresentados apenas pelo próprio candidato, sem confirmação por dados oficiais do órgão ou por auditoria externa citada nas reportagens.

Caberá ao Governo do Estado do Acre, à Prefeitura de Rio Branco e ao Saerb, se provocados, detalhar com transparência os números de cobertura de água e esgoto e a situação orçamentária do serviço. Eleitores interessados no tema devem acompanhar se esses dados serão confirmados por relatórios públicos ao longo da campanha, já que até o momento as informações divulgadas partem exclusivamente da fala do candidato.

Fontes consultadas

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