O estado de São Paulo registrou 1.953 casos de hepatite A entre janeiro e 11 de julho de 2026. O número representa um aumento de 54,6% em relação ao mesmo período do ano passado, que teve 1.263 casos. A parcial atual supera em 17,4% o total acumulado de todo o ano de 2025, que fechou com 1.663 casos.
Os dados são do Núcleo de Informações Estratégicas (Nies) da Secretaria Estadual da Saúde. A última atualização da plataforma ocorreu no dia 20. A curva cresce em São Paulo pelo menos há quatro anos. Os anos de 2022, 2023 e 2024 fecharam com 294, 985 e 1.176 casos da doença, respectivamente. Em 2026, as semanas epidemiológicas de 11 a 14, entre 15 de março e 11 de abril, registraram as notificações mais altas.
Homens concentram a maior parte das infecções, com 1.168 casos. Destes, 407 estão no grupo de 20 a 29 anos, 341 de 30 a 39 e 202 de 40 a 49 anos. As demais faixas etárias somam 271 casos. Entre as mulheres, as de 20 a 29 anos e de 30 a 39 anos são maioria, com 213 e 209 casos, respectivamente. Meninas de 10 a 19 anos vêm em terceiro lugar, com 118 ocorrências. Os outros grupos totalizam 188 registros.
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, até abril de 2026, foram registrados dois óbitos por hepatite A no estado de São Paulo. Em 2025, houve 11 mortes pela doença; em 2024, quatro; em 2023, oito; e, em 2022, um óbito.
A hepatite A é uma inflamação aguda do fígado, causada pelo vírus A (HAV). A infecção é benigna e contagiosa. Cerca de 1% dos casos, ou menos, pode evoluir com gravidade, de forma fulminante. A transmissão ocorre pelo contato oral-fecal e está ligada a condições inadequadas de saneamento básico e higiene pessoal, além do consumo de água e alimentos contaminados.
“Ela é transmissível por água contaminada por fezes que contêm o vírus da hepatite A. Existe uma forma mais recente de transmissão que é por via sexual, sobretudo em homens que fazem sexo com homens, devido ao contato com a região anal e com material fecal que é rico em vírus de hepatite A”, explica Evaldo Stanislau de Araújo, infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo. “O aumento na população masculina pode estar relacionado à prática sexual”, diz.
A maioria dos casos de hepatite A é assintomática ou tem sintomas inespecíficos. O paciente pode apresentar fadiga, mal-estar, febre e dores musculares, seguidos por enjoo, vômito, dor abdominal, constipação ou diarreia. A urina escurece e a pessoa apresenta icterícia, quando a pele e os olhos ficam amarelados. Segundo Araújo, o tratamento é de suporte, com medicação sintomática e controle laboratorial da evolução.
Vacinação
Até maio de 2026, no estado de São Paulo, segundo o Ministério da Saúde, 67,25% das crianças receberam a vacina contra a hepatite A. A meta é imunizar 95% da população. O imunizante é aplicado em dose única aos 15 meses, podendo ser utilizado dos 12 meses até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Para pessoas com condições clínicas específicas de maior risco, o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece o imunizante nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries), geralmente no esquema de duas doses com intervalo mínimo de seis meses.
